Friday, June 9, 2006

Desamor

 

Disseram-me que a palavra “amor” não tinha, por si significado. As palavras que exprimem sentimentos nunca podem definir o sentimento de cada um de nós, porque cada um de nós os sente de forma diferente. O amor é, assim, algo que se sente mas não se transmite? Porque a pessoa que ouve a palavra “amo-te” nunca vai perceber o que a pessoa que a diz quer, de facto, transmitir.

Percebo a teoria…entendo e até concordo, em parte…

Mas destrona-me, destroça-me, inviabiliza boa parte da minha existência até aqui e não estou preparada para enfrentá-la…

O que seria do mundo sem amor? Desconheço este conceito…Eu só sei viver amando, uma pessoa, o que faço, a família, os amigos, ou apenas (e tanto) a vida. Não sei o que é isso de não proferir a palavra que tanto significa para mim, embora saiba que o que significa para mim é só meu, e só eu o posso entender…

Será que as vezes que a disse caíram no vazio por erro de transmissão? Será que é por isso? Será que foi por ter encarado o sentimento pela restricção de uma palavra? Será que tenho que mudar a forma como vejo….o sentimento que não se profere?

 

 

Posted by Inês in 01:13:58
Comments

One Response

  1. Sara Santos says:

    Inês…
    Tanto para escrever e tão poucas palavras para expressar o que quero escrever… A ti, pelos vistos, não te faltam as palavras: Parabéns! Entristece-me, no entanto, o “des”… ok, porque sim, mas… porque não assumir um DIZER, um AMOR, uma VIDA em pleno? por te conhecer questiono-te. Será necessário este prefixo na nossa/tua vida?
    Quanto ao tópico em questão… (e aqui me faltam as palvras…)
    Uma vez o S. disse-me “Gosto mesmo bué de ti!” e eu ri-me e gozei… “mas porque é que dizes isso? Pareces um miúdo de 16 anos…” Eu não entendi, o sentimento caiu no vazio (como dizes), porque para mim o gostar bué era uma desvalorização do que eu sentia por ele e do que acreditava que ele sentia por mim! Ele justificou-se dizendo que o dizer que se ama já é hoje em dia tão banal que perde o significado, eu tenho de concordar… não gosto, mas concordo: (como é que Amo-te Meco e Amo-te Chiado, se não for banal?). Em mim permaneceu, apesar da justificação o sentimento de quase vazio e melancolia…
    Com o tempo entendi, não são as palavras que DIZEM os sentimentos: são os actos, os olhares, os carinhos que se fazem, a “desnecessidade” de “desculpas” (porque não há culpas a atribuir), o amor como acção e não como sentimento…
    Agora entendo, nunca dissemos amo-te, porque não existe em nós a dupla necessidade de dizer e ouvir dizer. Está presente no nosso dia-a-dia, em cada momento, acreditar no amor entre nós! E pensar que o amo e ter a certeza disso e com um olhar dizê-lo!
    Demasiado romântica? Talvez… crédula? Não! e tenho a certeza que é melhor isto do que ouvir dizer amo-te e não acreditar!

    Desculpa o testamento/desabafo que me inspirou o teu tópico! :)
    Beijos!

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