Des-sentir
Existe, em nós, uma sensação que experimentamos poucas vezes. É rara, pela sua escassez e é rara por ser especial, estranha, difícil de reconhecer e de descrever…
É quando nos sentimos tão bem, tão bem connosco, com os outros, com a vida…mesmo quando nem tudo corre bem, é quando nos apercebemos disso e nos confortamos com o facto de sabermos que tudo se irá resolver; é quando sentimos a brisa na cara e nem nos importamos com o vizinho do lado a refilar por não conseguir virar para a faixa que quer no caos dos automóveis apressados; é quando olhamos para o sol e nos contentamos por ser dia e olhamos para a lua e damos as boas vindas à noite; é quando se está bem na praia, no campo, na cidade, não importa!
Parece quase que não nos importamos com o que quer que seja, porque estamos tão bem, parece que não interessa se chove ou faz vento, parece neutro, des-sentimento… Difícil é explicar este sentir, porque não sentir pode ser entendido como apatia…Mas não é isso! É exactamente o contrário! É quando sentimos tanto, tanto, que des-sentimos…que estamos bem em qualquer lado, com quem quer que seja, em qualquer situação, simplesmente estamos bem!