Desbravar
Por mais que não pareça, por mais que a vida nos dê e tire coisas continuamente, nós é que decidimos o essencial do seu rumo. Nós é que decidimos o que queremos, quando queremos e como queremos. Nós é que sabemos escolher a melhor forma de chegar às metas que traçámos. Nós é que sabemos se queremos ir para a direita ou para a esquerda, em frente ou para trás, para baixo ou para cima. As direcções são muitas, porque a vida gosta de se divertir à custa de nos ver, todos os dias, a tomar decisões, a optar. Mas por isso o caminho é nosso, somos nós que o fazemos, que o desbravamos…
Por vezes desbravar caminho não é fácil, principalmente quando as nossas escolhas são as menos óbvias, as que menos gente toma, as “socialmente incorrectas” e, por isso, surgem as incertezas, os receios, as angústias e as hipóteses de reconfigurações possíveis naquilo que havíamos decidido. Desbravar é consciencializar uma opção, para depois ir caminhando, a passos que podem ser longos ou curtos, repensando insistentemente na escolha feita, para termos a certeza de que é o queremos, quando queremos e como queremos. Se concluímos que sim, nenhuma reconfiguração deve ser sequer equacionada e devemos seguir o plano inicial, peremptoriamente. Porque a vida, que por vezes se diverte à nossa custa, não está feita para decidir por nós, para nos obrigar a optar segundo a sua vontade. Quando tal acontece o resultado é, simplesmente, insatisfatório.