Friday, November 24, 2006

Desnivelar

Será que cada um de nós tem uma dose de felicidade na vida e por isso é que não podemos tomá-la toda de uma vez? Ou será que temos medo de sermos felizes, pelas vezes que deixámos de o ser e doeu tanto?

Será que a felicidade é um direito ou algo que se conquista?

Será que não podemos ser felizes em tudo, que existem pequenas parcelas de felicidade para cada área da nossa vida e, como se de um gráfico se tratasse, as barras fossem descendo e subindo, sempre para que a soma das percentagens desse 100%?

Ou será que existem diferentes níveis de felicidade? Na verdade, estaríamos muito poucas vezes verdadeiramente infelizes e o que sentimos seriam diferentes graus de felicidade para cada coisa. Nisto estou um bocadinho feliz, nisto estou mais um bocadinho, nisto estou muito…

E será que é possível atingir cada vez mais elevados níveis de felicidade? Ou existe um máximo que só atingimos muito raramente? Ou a felicidade é só uma, a completa?

Gostava de conseguir responder a estas questões… Creio que conseguiria, nessa altura, desnivelar a felicidade, para que nada do que me rodeia viesse encaixá-la nos parâmetros que fomos habituados a tomar como certos. Sem encaixe ela seria plena, ou talvez só aí fosse, de facto, Felicidade.

Posted by Inês at 19:07:05
Comments

4 Responses to “Desnivelar”

  1. Anonymous says:

    O pior é quanto ficas para sempre marcado pelo período em que foste feliz. Muitíssimo feliz. Porque sabes que só ali o foste e que nunca mais o serás daquela maneira.

    Ainda acordo e ainda me deito a pensar como foi possível ter sido tão feliz. Gostei tanto do passado, que sinto que entregar-me de igual maneira é renegar a tudo aquilo que me fez feliz. Incongruente? Sim, eu sei mas é a vida e há que aprender a viver com isso.

    Eu posso vir a descobrir o Mundo. Posso vir a fazer coisas fantásticas aos olhos dos outros, mas isso será apenas para colmatar a infelicidade que só eu reconheço. Choro sem lágrimas. Ninguém me ouve e ninguém me vê. Só eu sei como custa viver assim…

    — o comentário é uma resposta impulsiva e sincera às emoções que o post levantou. Apesar do comentário ser verdadeiro, para sobreviver também é preciso trabalhar o futuro e não ser péssimista ;)

  2. joao says:

    Sempre vi os Ideais como metas, não como algo que já tivesse vivido. Nada será perfeito. A nossa emoção pode levar-nos a pensar que andámos lá perto, mas não. Ser-se muito Feliz, não implica que sejamos possuidores da Felicidade. Somos perseguidores dela. Aceitamos os desafios, e vamos à luta. Jamais a conquistaremos só para nós… Mas vamos à luta, porque é assim mesmo. Se caíres, levantas-te, se andares, queres correr, se te souber bem o vento enquanto corres, vais querer voar, …
    À luta!
    beijinho

  3. vanessa says:

    Acho que já tinha dito isto num outro post qualquer que escreveste, mas volto a dizer…senti-me retratada no que escreves. De facto, acho que já toda a gente sentiu o que estás a sentir.

    Talvez seja este o raciocínio que é a chave do pessimismo. Pessimistas são pessoas que já perceberam que não consegues ter os diferentes gráficos com todos os valores…será? E os optimistas, os que acreditam que os gráficos podem sempre subir e nivelar-se no alto? Não sei, mas sei que também não tenho resposta para as perguntas que fazes. Concordo com o João quando diz que são metas. Acho que nessas metas vamos sendo cada vez mais exigentes, o que é mau.

    Beijinhos!

  4. joao says:

    Olá de novo… :)

    lembrei-me de um bom exemplo: “só estou bem onde não estou, só quero ir a onde não vou…”

    Tento relativizar quando sinto que estou mais longe do que quero, tento pensar que passa, e embora saiba que passa mesmo! Umas vezes consigo, noutras demora mais tempo.

    Sou um fiel seguidor da força do pensamento. Sei que quando a Felicidade, porque é dela que falamos aqui, está mais distante, esses pensamentos não são positivos, e tentamos “remexer”. Lembra-me uma boa analogia:

    Se estiveres num buraco, é melhor esperares, se te mexeres muito acabas por aumentá-lo.

    Termino com uma boa frase, dum mestre meu:

    “It’s funny when things change so much
    It’s all state of mind” - pearl jam

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