Desligados
Há vozes únicas, livros presentes, imagens reveladoras, sensações desconcertantes, paisagens embriagadas que me fazem querer fazer parte de momentos que já passaram nessa história que não deixa de ser minha mas que não posso viver. Momentos da nossa história, enquanto famílias, cidades, países, que gostaria de ter presenciado, pelo simples facto de pensar que nessas alturas havia um sentimento de causa de muitos (não digo de todos) que guiava os destinos de uma comunidade.
Hoje em dia a individualidade, tão desejada por aqueles que sempre viram negados os seus desejos ou que se viam obrigados a deixá-los sempre para último; essa individualidade que caracteriza, ainda que só superficialmente, a sociedade do século XXI, não permite que existam causas comuns. Tudo são objectivos, metas, sonhos de cada um, a serem concretizados na solidão de quem garante que nada nem ninguém o fará alterar os seus planos e desistir dos seus sonhos. De quem está desligado dos outros.
A verdade é que sinto falta de algo superior a mim, aos meus desejos, aos meus objectivos. Algo que me faça sentir parte de um nós ao contrário de me sentir como um eu que se relaciona com outros. Uma causa, um sonho, um desejo de um todo, para o qual contribua com aquele fervor que só se encontra em quem sabe que também das suas acções depende o sucesso de uma missão.
As causas existem, mas são tantas num mundo cada vez mais globalizado que é fácil perdermo-nos entre ideias, ideiais, convicções e difícil identificarmo-nos com uma que seja…
Hoje decidi procurar em mim uma dessas causas.
As causas existem, mas são tantas num mundo cada vez mais globalizado que é fácil perdermo-nos entre ideias, ideiais, convicções e difícil identificarmo-nos com uma que seja…
Hoje decidi procurar em mim uma dessas causas.