Desamor II
“(…) seria talvez melhor utilizar nomes que não tivessem por si mesmos qualquer significado, como por exemplo letras do alfabeto. Mas tal método seria nocivo à clareza da exposição. Temos pois que nos resignar a usar os termos da linguagem comum; mas o leitor deve ter bem em mente que estes nomes - ou as suas etimologias - não servem de modo algum para conhecer as coisas que indicam. Estas devem ser estudadas directamente, e o seu nome mais não é que um rótulo que serve para as indicar.”
Ao ler esta passagem deste sociólogo de princípios do século XX pensei no meu post de 9 de Junho de 2006 “Desamor”. Ocorreu-me que é nas alturas mais anómicas da nossa vida que necessitamos de definições, que precisamos que as formas correspondam a conteúdos, porque queremos agarrar-nos a qualquer coisa de concreto. Isto porque, em alturas de extrema alegria ou extrema tristeza, em alturas de desiquilíbrio emocional, positivo ou negativo, não há necessidade de definições. As palavras são só rótulos, porque na verdade nada pode descrever o que se sente. Sentimos apenas e só nós sabemos a profundidade, o significado e os efeitos desses sentimentos…