Desamor II
“(…) seria talvez melhor utilizar nomes que não tivessem por si mesmos qualquer significado, como por exemplo letras do alfabeto. Mas tal método seria nocivo à clareza da exposição. Temos pois que nos resignar a usar os termos da linguagem comum; mas o leitor deve ter bem em mente que estes nomes - ou as suas etimologias - não servem de modo algum para conhecer as coisas que indicam. Estas devem ser estudadas directamente, e o seu nome mais não é que um rótulo que serve para as indicar.”
Vilfredo Pareto, Trattato di Sociologia Generale, Firenze, Barbèra, 1916 (Tradução de Manuel Braga da Cruz)
Ao ler esta passagem deste sociólogo de princípios do século XX pensei no meu post de 9 de Junho de 2006 “Desamor”. Ocorreu-me que é nas alturas mais anómicas da nossa vida que necessitamos de definições, que precisamos que as formas correspondam a conteúdos, porque queremos agarrar-nos a qualquer coisa de concreto. Isto porque, em alturas de extrema alegria ou extrema tristeza, em alturas de desiquilíbrio emocional, positivo ou negativo, não há necessidade de definições. As palavras são só rótulos, porque na verdade nada pode descrever o que se sente. Sentimos apenas e só nós sabemos a profundidade, o significado e os efeitos desses sentimentos…
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14:50:19
Nos amores, assim como em tudo o que nos faz sentir, há alturas de vôo e de queda.
Quantas vezes não dizemos…”nunca mais”, ou “por agora, estou bem e quero ficar assim durante algum tempo.” Sabes, já pensei nisto, mas tal como dizias em Junho, preciso de Sentir, de subir e descer. Preciso de ter o nó na barriga, de estar nervoso, de rir até cair. Preciso de abraços e de uns bons estalos.
Não quero ser bom a definir, a rotular, a pensar nos nomes das coisas. Aceito que haja alguém que se dedique a isso, mas apenas porque a mim, me foi dada a responsabilidade de Sentir. Quero-te ler e perceber o que isto significa para mim. Sim. Como posso pensar o que significa para ti, só tu, porque és tu a sentir.
Tenho medo das quedas. Mesmo que o vento na cara saiba bem…custa! Porque não vejo o fim. Agora sei, que a queda é boa, apenas por uma razão…porque sei que Voei. E eu sou desses!