Desculpas!
Finalmente as palavras voltam, creio porque finalmente começo a reencontrar-me .
Há quem pense que é nestas situações, em que nos encontramos longe de todos os que conhecemos e enfrentamos um mundo totalmente novo, que revelamos o nosso verdadeiro eu. Eu penso exactamente o contrário, até porque o tenho visto acontecer. As pessoas que se vêem numa situação nova, longe da sua realidade, podem ser e fazer o que quiserem, simplesmente porque ninguém conhece a sua personalidade. Tenho visto pessoas a serem muito evidentes, faladoras, a vestir-se de forma a dar nas vistas, que mais tarde começam a relaxar, a conter-se nas suas intervenções e a vestir-se como sentem à vontade. E o contrário também. O difícil nestas situações não é a adaptação, essa acaba por se fazer, naturalmente, com o passar dos dias. Pouca gente consegue anular-se a si própria durante muito tempo, fingindo ser outra. Mais tarde ou mais cedo as redes de conhecimento acabam por se ir consolidando e o apoio social no qual baseamos o nosso eu começa a construir-se. Porque na relação com as pessoas de quem gostamos e que gostam de nós que fazemos quem somos - pelo menos é o que eu penso. A dificuldade está no primeiro momento, aquele em que decidimos, ou não, que tipo de pessoa vamos ser para enfrentar o desconhecido.
Pela parte que me toca tenho estado bastante “metida para dentro” o que, para quem me conhece, pode parecer estranho. Mas foi esta a forma que encontrei, por vezes consciente, outras inconscientemente, de lidar com a novidade, a estupefacção, a necessidade de reflexão, a saudade, o isolamento. Aliás, quem me conhece mesmo bem sabe que não sou uma pessoa muito aberta nos primeiros contactos, o que até me vale a fama de “mau feitio”. Por isso, no fundo, não se trata de grande novidade, a não ser que tem durado um bocadinho mais de tempo.
Mas o resultado foi um período muito produtivo para a minha tese, a que o meu orientador chamou de “efervescência mental” e agora, que começo a ter “amigos” em vez de “conhecidos” por estas bandas, mas também muito devido à visita dos pais e à breve visita do namorado, começo a encontrar-me.
É um “mau feitio” muito lindo……….
Nós também estamos CHEIOS de saudades!!!
Volta rápido!
Su, Ricas e Lia