Tuesday, December 18, 2007

Deslocar


Depois de algum tempo, chuva… Frio e chuva é normalmente uma combinação de que não gosto. Não apetece sair de casa, vestir os sapatos e o casaco impermeáveis, pegar no guarda-chuva e enfrentar as pingas frias e desconfortáveis…
Mas hoje as circunstâncias fizeram-me sair de casa, mesmo com chuva, e foi quando abri a janela do carro que senti… Senti aquele cheiro, O cheiro, aquele do fim dos Verões em Trás-os-Montes, com as suas tempestades cheias de relâmpagos, com as brincadeiras à volta do quintal, couves, batatas, flores, com os passeios de bicicleta, as folhas amarelas no chão, as pingas a cair na fonte parada, o corredor de arbustos maravilhosamente longo e fantasioso, o campo de golfe enorme e misterioso, as amoras e as arranhadelas, as conversas no Lago e os primeiros amores…
É impressionante como um simples cheiro a terra molhada me desloca de imediato para outro sítio, outra estação, outro tempo!

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Friday, December 14, 2007

(Na hora da) Despedida…



Há momentos grandes demais para as palavras…

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Sunday, December 9, 2007

Sem Desesperar


Ultimamente tenho acordado assim, sem saber muito bem como me sinto, o que quero, o que faça… Acordo e penso que também não faz mal não saber, porque neste momento só tenho de deixar as coisas acontecerem, deixar o tempo passar, acabar esta tarefa que tenho em mãos este mês e mais nada.

Há alturas na vida em que só temos de esperar, esperar que seja a altura de procurar coisas diferentes, de perseguir novos (ou antigos) sonhos, de desafiar outros projectos. Para mim, essa altura tem hora marcada! “Ano novo, vida nova” e tenho a certeza que vai ser um ano cheio, redondo, como o número!

Mas nem tudo na vida é responsabilidade nossa, e por isso também temos de esperar que ela resolva presentear-nos com coisas novas, inesperadas ou simplesmente milagrosas, daquelas que nos fazem sorrir e sentirmo-nos felizes só por existirmos! Para essas só me resta mesmo esperar…E sem desesperar.


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Thursday, November 29, 2007

Desamor II


“(…) seria talvez melhor utilizar nomes que não tivessem por si mesmos qualquer significado, como por exemplo letras do alfabeto. Mas tal método seria nocivo à clareza da exposição. Temos pois que nos resignar a usar os termos da linguagem comum; mas o leitor deve ter bem em mente que estes nomes - ou as suas etimologias - não servem de modo algum para conhecer as coisas que indicam. Estas devem ser estudadas directamente, e o seu nome mais não é que um rótulo que serve para as indicar.”


Vilfredo Pareto, Trattato di Sociologia Generale, Firenze, Barbèra, 1916 (Tradução de Manuel Braga da Cruz)


Ao ler esta passagem deste sociólogo de princípios do século XX pensei no meu post de 9 de Junho de 2006 “Desamor”. Ocorreu-me que é nas alturas mais anómicas da nossa vida que necessitamos de definições, que precisamos que as formas correspondam a conteúdos, porque queremos agarrar-nos a qualquer coisa de concreto. Isto porque, em alturas de extrema alegria ou extrema tristeza, em alturas de desiquilíbrio emocional, positivo ou negativo, não há necessidade de definições. As palavras são só rótulos, porque na verdade nada pode descrever o que se sente. Sentimos apenas e só nós sabemos a profundidade, o significado e os efeitos desses sentimentos…

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Monday, November 19, 2007

Desfecho

Adeus tristeza

Na minha vida tive palmas e fracassos

Fui amargura feita notas e compassos

Aconteceu-me estar no palco atrás do pano

Tive a promessa de um contrato por um ano

A entrevista que era boa não saiu

E o meu futuro foi aquilo que se viu


Na minha vida tive beijos e empurrões

Esqueci a fome num banquete de ilusões

Não entendi a maior parte dos amores

Só percebi que alguns deixaram muitas dores

Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu

E o meu futuro foi aquilo que se viu


Adeus tristeza, até depois

Chamo-te triste por sentir que entre os dois

Não há mais nada pra fazer ou conversar

Chegou a hora de acabar


Na minha vida fiz viagens de ida e volta

Cantei de tudo por ser um cantor à solta

Devagarinho num couplé pra começar

Com muita força no refrão que é popular

Mas outra vez a triste sorte não sorriu

E o meu futuro foi aquilo que se viu


Adeus tristeza, até depois

Chamo-te triste por sentir que entre os dois

Não há mais nada pra fazer ou conversar

Chegou a hora de acabar


Na minha vida fui sempre um outro qualquer

Era tão fácil, bastava apenas escolher

Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade

Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade

Não ando cá para sofrer mas para viver

E o meu futuro há-de ser o que eu quiser


Adeus tristeza, até depois

Chamo-te triste por sentir que entre os dois

Não há mais nada pra fazer ou conversar

Chegou a hora de acabar


Letra e música:
Fernando Tordo
In: “Adeus tristeza”, 1983

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Friday, November 9, 2007

Desfalecer

É hoje, é hoje que me sinto desfalecer…cair, cair, cair, sem ver o fundo… Parece que tudo deixa de fazer sentido, parece que tudo é inadequado, fora do lugar, parece que não é a minha realidade… Tenho a sensação que tenho uma bolha à minha volta, que não consigo controlar, que anda sozinha, da qual quero lutar para sair mas não consigo! Quero gritar e não me sai nenhum som, quero bater e não consigo atingir as paredes, quero furar e não tenho com quê… Sinto-me impotente, sinto que não há nada que eu possa fazer para ter o controlo… Sinto-me perdida… Sinto-me a cair…
E o pior é saber que só eu me posso agarrar…
Posted by Inês at 19:27:12 | Permalink | No Comments »

Tuesday, November 6, 2007

(Re)Descobrir

Como é que a vida continua a surpreender-nos? Nós sabemos que acontece, mas a verdade é que parece sempre uma nova descoberta!
Em alturas de confiança e certezas surgem-nos de repente gritos de dúvida e desespero… Em dias que acordamos sem vontade de sair da cama, eis que surge uma notícia que nos faz sorrir o dia todo!
Creio que só me resta continuar a deixar-me surpreender…

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Saturday, October 27, 2007

Desresponsabilização


Não deveriam as pessoas que cometem erros ortográficos em locais públicos, orais ou escritos, ser responsabilizadas? Não se trata, no fundo, de uma má utilização da nossa língua, à vista de toda a gente, que contribui para uma cada vez maior ignorância? Não se trata de uma gradual deseducação que conduz a uma cada vez maior iliteracia?
Como teste proponho que reparem na afixação de horários em Juntas de Freguesia, cafés, lojas, centros da segurança social, centros de emprego, secretarias de escolas… Muitos, mas mesmo muitos sítios ostentam orgulhosamente horários com a palavra ás em vez da palavra às, quando pretendem referir o período de horas de funcionamento.
Algumas pessoas argumentam que se trata de uma distracção, de um erro sem importância e que eu exagero, que o importante é que as pessoas percebam o significado… Mas quem será distraído ao ponto de fazer um sinal de aviso no computador e nem sequer certificar-se de que está correcto antes de o imprimir? Para mim não é apenas distracção, é uma despreocupação de quem sabe que não vai ser chamado à responsabilidade pelo “crime” de “assassinar” a nossa língua.
E o resultado está à vista: alunos universitários que cometem erros em exames e até apresentações de trabalhos, professores que dão aulas dando constantes “pontapés” na língua portuguesa, directores de empresas multinacionais que sabem falar melhor uma língua estrangeira que a sua língua mãe, jornalistas que nos dão informações em que o conteúdo deixa de fazer sentido à conta dos erros na forma…
Hoje, numa reportagem no Jornal da Noite da RTP, sobre as médias dos exames nacionais, apareceu uma imagem de um quadro de uma sala de aula com o horário de um exame em que se lê “das xh ás xh”!!! Ora, tem de ter sido por um professor ou um funcionário da escola a cometer este erro, escarrapachado à frente dos alunos que se preparavam para fazer um exame! E quem é que se responsabiliza por isto? Ninguém…
E nem de propósito, o programa de hoje do Provedor do Telespectador é sobre os erros ortográficos cometidos pelos jornalistas da RTP!
A minha proposta é simples: responsabilizar quem comete este e outros erros em locais públicos, chamando a atenção aos responsáveis do estabelecimento/serviço, de preferência junto de testemunhas, para que assim se sintam obrigados a fazer a correcção.
O nosso papel de cidadãos revela, assim, mais uma potencialidade: a defesa da nossa língua!

Posted by Inês at 21:46:57 | Permalink | Comments (1) »

Sunday, September 23, 2007

Desligados

 
Há vozes únicas, livros presentes, imagens reveladoras, sensações desconcertantes, paisagens embriagadas que me fazem querer fazer parte de momentos que já passaram nessa história que não deixa de ser minha mas que não posso viver. Momentos da nossa história, enquanto famílias, cidades, países, que gostaria de ter presenciado, pelo simples facto de pensar que nessas alturas havia um sentimento de causa de muitos (não digo de todos) que guiava os destinos de uma comunidade.

Hoje em dia a individualidade, tão desejada por aqueles que sempre viram negados os seus desejos ou que se viam obrigados a deixá-los sempre para último; essa individualidade que caracteriza, ainda que só superficialmente, a sociedade do século XXI, não permite que existam causas comuns. Tudo são objectivos, metas, sonhos de cada um, a serem concretizados na solidão de quem garante que nada nem ninguém o fará alterar os seus planos e desistir dos seus sonhos. De quem está desligado dos outros.
A verdade é que sinto falta de algo superior a mim, aos meus desejos, aos meus objectivos. Algo que me faça sentir parte de um nós ao contrário de me sentir como um eu que se relaciona com outros. Uma causa, um sonho, um desejo de um todo, para o qual contribua com aquele fervor que só se encontra em quem sabe que também das suas acções depende o sucesso de uma missão.
As causas existem, mas são tantas num mundo cada vez mais globalizado que é fácil perdermo-nos entre ideias, ideiais, convicções e difícil identificarmo-nos com uma que seja…
Hoje decidi procurar em mim uma dessas causas.
 
Posted by Inês at 23:06:46 | Permalink | Comments (2)

Sunday, July 8, 2007

Descontentamento

De onde vem tanto descontentamento? Será que os portugueses estão incapazes de conseguir ver as coisas boas? Será que perdemos esta capacidade?
Na verdade, a famosa expressão “vai-se andando”, resposta inevitável a um “então como está?”, é bastante reveladora desta nossa incapacidade. Por mais alegrias que tenhamos, há sempre, mas sempre, um mas…
E se não é por causa do patrão, é por causa dos berros dos filhos, ou por causa da batidela com o carro, ou por causa da fila nas finanças, ou por causa dos cócós dos cães na rua, ou porque o vizinho nunca cumprimenta, ou porque a vida está cara, ou porque temos de ir votar em dia de ir à praia, ou porque os políticos são todos anormais e interesseiros ou simplesmente porque “este é o país em que vivemos”.
Mas o descontentamento tem coisas curiosas, porque dá para as pessoas se queixarem, maldizerem, praguejarem… Mas não dá para as pessoas agirem, para irem à sua Junta de Freguesia queixar-se de que a calçada precisa de arranjo, para chamarem a atenção do vizinho que nunca espera que a porta da garagem feche antes de arrancar com o carro, para se sentarem e falarem calmamente com a família sobre os seus problemas, para reivindicarem os seus direitos de trabalhador ao seu patrão, ou simplesmente para abdicarem de 1 hora do seu Domingo para irem votar. Não, o descontentamento dá-nos para pronunciar a não menos famosa frase “isto só neste país”.
Eu estou cansada de não ter esperança em mim, na minha família, nos meus amigos, nos meus colegas de trabalho, nos meus vizinhos, nos portugueses… Estou cansada! E por isso resolvi acabar com este ciclo vicioso do queixume. As críticas, essas, continuo a fazê-las, porque são essenciais para para a evolução, para a melhoria, mas da minha boca não ouvirão mais um “só neste país é que isto acontece”.
A não ser que seja afectada pelo vírus do descontentamento…

Posted by Inês at 00:42:56 | Permalink | Comments (4)