Wednesday, May 16, 2007

Desentupir

Apetece-me dizer, dizer muito, mas parece que estou entupida! A palavra é feia e lembra outras coisas, mas é o que sinto… Estou entupida porque estou parada no tempo à espera que ele passe e me leve para melhores dias, para melhores sensações, para melhores feitos… Hoje os meus dias têm sido à espera do fim do dia para estar com as pessoas de quem gosto e, nem que isso me custe umas horas de sono, preciso disso como pão para a boca… Preciso de estar com pessoas, para me sentir eu também uma pessoa como as outras… senão sinto-me apenas uma relógio, que dá as horas e não passa das 12. De doze em doze, anda, anda, anda, anda mas não vai a lado nenhum… Os meus dias são assim, fazer isto, telefonar para aquele, enviar aquele mail, à espera que o relógio se parta e eu possa ir para outras paragens e sair das doze… Das doze vezes dois que fazem o nosso diminuto tempo para viver um dia inteiro, das doze menos três, a hora que acordo, das doze mais trinta minutos, a hora de almoçar…

Hoje troquei as voltas às contas com o número 12, porque hoje começa a contagem decrescente para desentupir…finalmente…

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Tuesday, October 24, 2006

Desbravar

Por mais que não pareça, por mais que a vida nos dê e tire coisas continuamente, nós é que decidimos o essencial do seu rumo. Nós é que decidimos o que queremos, quando queremos e como queremos. Nós é que sabemos escolher a melhor forma de chegar às metas que traçámos. Nós é que sabemos se queremos ir para a direita ou para a esquerda, em frente ou para trás, para baixo ou para cima. As direcções são muitas, porque a vida gosta de se divertir à custa de nos ver, todos os dias, a tomar decisões, a optar. Mas por isso o caminho é nosso, somos nós que o fazemos, que o desbravamos…
Por vezes desbravar caminho não é fácil, principalmente quando as nossas escolhas são as menos óbvias, as que menos gente toma, as “socialmente incorrectas” e, por isso, surgem as incertezas, os receios, as angústias e as hipóteses de reconfigurações possíveis naquilo que havíamos decidido. Desbravar é consciencializar uma opção, para depois ir caminhando, a passos que podem ser longos ou curtos, repensando insistentemente na escolha feita, para termos a certeza de que é o queremos, quando queremos e como queremos. Se concluímos que sim, nenhuma reconfiguração deve ser sequer equacionada e devemos seguir o plano inicial, peremptoriamente. Porque a vida, que por vezes se diverte à nossa custa, não está feita para decidir por nós, para nos obrigar a optar segundo a sua vontade. Quando tal acontece o resultado é, simplesmente, insatisfatório.

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Wednesday, October 4, 2006

(Des)Encontrar

Dias em que se encontram amigos desencontrados há muito, muito tempo assemelham-se quase a pequenos milagres… A vida é assim, arrebata-nos com a sua falta de sentido de oportunidade e afasta-nos (ou somos nós que nos afastamos…) de quem gostamos e a quem queremos bem, simplesmente, vejam bem, porque não “dá jeito”! Mas eis que ela, sábia, vem dizer-nos que, se calhar, o que faz tem uma razão de ser… É quando nos presenteia com um reencontro com alguém que nos continua a dizer muito, apesar de ter passado tanto tempo sem sequer nos falarmos.

- “Vês… Tens de saber esperar pela altura certa… Talvez agora valorizes mais esta amizade e ela te traga muitas coisas boas nesta fase…” - sussurra.

Assim o espero!

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Sunday, September 24, 2006

Des-sentir


Existe, em nós, uma sensação que experimentamos poucas vezes. É rara, pela sua escassez e é rara por ser especial, estranha, difícil de reconhecer e de descrever…
É quando nos sentimos tão bem, tão bem connosco, com os outros, com a vida…mesmo quando nem tudo corre bem, é quando nos apercebemos disso e nos confortamos com o facto de sabermos que tudo se irá resolver; é quando sentimos a brisa na cara e nem nos importamos com o vizinho do lado a refilar por não conseguir virar para a faixa que quer no caos dos automóveis apressados; é quando olhamos para o sol e nos contentamos por ser dia e olhamos para a lua e damos as boas vindas à noite; é quando se está bem na praia, no campo, na cidade, não importa!
Parece quase que não nos importamos com o que quer que seja, porque estamos tão bem, parece que não interessa se chove ou faz vento, parece neutro, des-sentimento… Difícil é explicar este sentir, porque não sentir pode ser entendido como apatia…Mas não é isso! É exactamente o contrário! É quando sentimos tanto, tanto, que des-sentimos…que estamos bem em qualquer lado, com quem quer que seja, em qualquer situação, simplesmente estamos bem!
Posted by Inês at 13:18:38 | Permalink | Comments (1) »

Friday, September 1, 2006

Desproduzir

Sono, muito sono…
Porque é que não podemos escolher, à nossa vontade, as horas em que trabalhamos, as horas em que dormimos, as horas em que comemos, as horas em que sorrimos?
Desta forma, a que vivemos, continuamos obrigados a negar a nossa essência de verdadeiros preguiçosos. O preguiçoso não é aquele que nunca quer fazer nada. O preguiçoso é aquele que faz quando quer. Como os gatos…
Era bom poder decidir quando quero ser produtiva… Para ver se deixava de ter estes momentos de verdadeira desprodução!

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Tuesday, August 1, 2006

Destroçar

Há coisas na vida que nos perseguem…sem as vermos todos os dias elas estão lá…sem nos largarem, sem nos darem descanso… Destroçam, desventram, desligam-nos do mundo, apanham-nos desatentos porque, por não estarem sempre à nossa frente pensamos que desapareceram…mas não, continuam ali, sem nos darem descanso…Ao mesmo tempo são estas coisas, que não queríamos que fizessem parte da nossa vida, que nos dão força para enfrentar os mais importantes desafios, os mais dolorosos confrontos…porque elas estão lá sempre e é com elas que aprendemos que somos fortes, mais fortes que “eles”, mais fortes do que os obstáculos com que nos deparamos, mais fortes que os sentimentos derrotistas que nos surgem na mente.

Só há uma coisa que não tem solução na vida…morrer…e por isso, mesmo as coisas que nos destroçam têm que ter solução…só precisamos de perceber o que nos dá força para as enfrentarmos…

Posted by Inês at 20:28:37 | Permalink | Comments (2)

Sunday, July 16, 2006

Descansar

A rapidez dos dias absorve-nos sem perdão, sem parar, sem descanso…Quando nos apercebemos do que fizemos com o nosso tempo, aquele que é tão precioso porque um dia irá acabar, não podemos deixar de pensar que não pode ser para isto que aqui estamos…
Temos de ter a determinação de saber descansar…fazer uma pausa. Há poucas coisas pelas quais vale a pena correr ou irritarmo-nos (ou se calhar não há nenhuma), já dizia o outro. O tempo é curto, singular e tem que ser apreciado sem reservas… Temos de dar-lhe tempo, ao tempo…
Ficar assim, a contemplar, a apreciar cada gesto, cada olhar, cada sintonia criada sem pudor, a sorver cada som, cada expressão, cada pequeno levantar do canto do lábio, aquele que diz que se está a pensar, a gostar, a saber…é descanso, o verdadeiro descanso da vida, daquela que violenta o ser, que tira, que esvai-nos da energia singular do ser humano. Porque é com estes “descansos” que as forças vêm ao de cima, para nos permitirem voltar ao dia que temos que viver, à realidade que é a nossa. E por isso, assim, temos que lhe retirar, a ela, o que queremos para o nosso ser!

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Monday, June 19, 2006

Desertificação

Ouvi na rádio “…atentado, morreram sete elementos da mesma família, dos quais três eram crianças. No euromilhões….”
Deserto…Deserto em sentimentos, deserto em empatia, deserto em compaixão, deserto em compreensão… A paisagem estava concordante e por isso a ironia foi ainda maior, porque tudo parecia querer fazer-me ver que o mundo está cheio de pequenos e grandes desertos, onde cada um de nós se sente cada vez mais perdido, cada vez mais individual e individualista…E a desertificação cresce a olhos vistos, deixando-nos sem alternativas de alimento para o corpo, para a mente…porque a vegetação escasseia mas a humanidade também…
Despertada destes pensamentos olhei em volta e estava rodeada de pessoas a quem quero bem, que me querem bem…e só por isso o deserto tornou-se mais verde e o homem, menos cinzento

Posted by Inês at 18:51:34 | Permalink | No Comments »

Saturday, June 10, 2006

Des-morrer

Quando a chuva bate em céu azul, quando a moldura pousa sem um olhar, quando os dedos escorrem sem motivo, quando os olhares se cruzam sem saberem porquê, então…não é preciso questionar, perguntar, duvidar.

O sentido das coisas nem sempre é claro mas é sempre verdadeiro, porque sim, porque está, porque é…

E assim a vida surge bruscamente à nossa frente, para nos refrescar e saudar, em toda a sua grandiosidade, inevitável, incontornável!

E é nestas alturas, mais do que nunca, que sabemos que ela é mais verdadeira do que alguma vez foi, que é um bem por si mesma, uma meta a atingir… e é simplesmente bom!

Posted by Inês at 01:19:20 | Permalink | Comments (1) »

Friday, June 9, 2006

Desamor

 

Disseram-me que a palavra “amor” não tinha, por si significado. As palavras que exprimem sentimentos nunca podem definir o sentimento de cada um de nós, porque cada um de nós os sente de forma diferente. O amor é, assim, algo que se sente mas não se transmite? Porque a pessoa que ouve a palavra “amo-te” nunca vai perceber o que a pessoa que a diz quer, de facto, transmitir.

Percebo a teoria…entendo e até concordo, em parte…

Mas destrona-me, destroça-me, inviabiliza boa parte da minha existência até aqui e não estou preparada para enfrentá-la…

O que seria do mundo sem amor? Desconheço este conceito…Eu só sei viver amando, uma pessoa, o que faço, a família, os amigos, ou apenas (e tanto) a vida. Não sei o que é isso de não proferir a palavra que tanto significa para mim, embora saiba que o que significa para mim é só meu, e só eu o posso entender…

Será que as vezes que a disse caíram no vazio por erro de transmissão? Será que é por isso? Será que foi por ter encarado o sentimento pela restricção de uma palavra? Será que tenho que mudar a forma como vejo….o sentimento que não se profere?

 

 

Posted by Inês at 01:13:58 | Permalink | Comments (1) »